Pular para o conteúdo principal

Uma ilha diferente


Numa pequena ilha chamada sentimentos chegou um barco e nele estava escrito Problemas. Todos os que estavam nele desembarcaram na ilha. Então, começaram a sair do barco o Estresse, o Sofrimento, a Dor, a Amargura e a Angústia.
Assim que virão os que desceram do barco, a Alegria, Calma, Coragem, Felicidade e Gratidão, subiram numa pequena jangada e fugiram da ilha. Desespero foi logo avisar aos demais que ainda estavam na ilha. 
Esperança ficou sem reação e procurou a Estabilidade que tinha uma pequena canoa e também fugiram da ilha. 
Todos da ilha foram para imensa casa do Medo, exceto a Tristeza, Ansiedade e Depressão que preferiam ficar diante do mar cujo nome era sonhos e ficaram ali se lamentado da vida, pois depois que o barco Problema chegou, tudo se transformou se tornou um caos. Mas, espere, tem alguém se aproximando da ilha numa velha jangada.
Quando chegou a ilha ele disse você me permite entrar na ilha? Tristeza respondeu com uma pergunta: "por que, se a ilha está praticamente vazia? Ninguém quer sair de casa" - e apontado para o barco (Problema) continuou - "depois que este barco chegou esta ilha não é mais a mesma." O velho que estava na jangada disse: "então deixe-me passar por toda ilha e asseguro-lhes que tudo voltará ao normal."
Ansiedade dá um passo a frente e olhando para o velho disse: "é mesmo? E o que você fará? Quem é você?". O Velhinho olha para Depressão que estava com as mãos na cabeça e disse: "sou Tempo, não farei nada, apenas deixe-me passar".


Daniel L. Gonçalves

Teólogo, Filósofo e Psicanalista

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O reflexo distorcido: "a substância" e a crueldade da beleza imposta

  "A Substância", dirigido por Coralie Fargeat, apresenta-se como uma experiência cinematográfica visceral que transcende os limites convencionais do horror para oferecer uma reflexão incisiva sobre nossa sociedade obcecada por imagens. O filme captura, com precisão implacável, as pressões esmagadoras que recaem sobre as mulheres em um mundo que as valora primordialmente por sua juventude e aparência. No centro desta narrativa perturbadora encontra-se Elisabeth Sparkle, interpretada com notável vulnerabilidade por Demi Moore. Antiga celebridade agora em declínio, Elisabeth enfrenta o fantasma que assombra inúmeras mulheres na indústria do entretenimento: a obsolescência imposta pela idade. Quando um executivo insensível a descarta friamente como "aquela velha", o filme expõe cruamente o etarismo sistêmico que permeia nossa cultura. A premissa do filme se desenvolve a partir de um conceito aterrorizante: uma substância ilegal que permite a Elisabeth criar temporariam...

A tapeçaria digital e os fios soltos da conexão

É fascinante como nos prometem um mundo de infinitas conexões, não é mesmo? A palma da nossa mão pulsa com a energia de bilhões de informações, rostos e vozes. Quantas vezes, ao deslizar a tela, nos sentimos parte de algo grandioso, um fluir constante de ideias e experiências? Mas, e quando a tela se apaga? Ou quando nos vemos rodeados, em uma festa ou em um café, mas o olhar busca o brilho azul que já se tornou uma extensão de nós? Lembro-me de um entardecer, o pôr do sol pintando o céu com tons de laranja e roxo – uma cena de tirar o fôlego. Ao meu redor, celulares em riste, capturando o momento. Ninguém parecia realmente ver o sol se pôr, mas sim a versão digital dele que seria compartilhada. O que se perde nesse hiato entre a vivência e a representação? A sensação, por vezes, é de que construímos pontes virtuais tão rapidamente que esquecemos como andar sobre o solo firme de uma conversa olho no olho, onde as nuances da voz e a delicadeza de um gesto falam mais que mil emojis. A ir...

Os muitos descansos que sustentam a vida: um ensaio sobre a arte de pausar

Vivemos em uma época que celebra a velocidade. Tudo precisa ser respondido imediatamente, decidido depressa, produzido sem atraso. Nesse cenário, descansar parece quase um gesto de rebeldia — um retorno silencioso ao que somos quando ninguém nos exige nada. Mas descansar não é luxo, e muito menos preguiça. É, antes de tudo, uma necessidade constitutiva da vida psíquica, emocional e corporal. E talvez seja justamente por isso que a pausa, quando acontece, nos devolve algo essencial: o acesso àquilo que fomos perdendo no meio da pressa.   Costumamos pensar o descanso apenas como sono. No entanto, assim como somos seres complexos, feitos de camadas e ritmos próprios, também o descanso possui múltiplas formas. Cada uma delas toca uma dimensão da existência e restaura algo diferente em nós. Entender isso amplia nosso cuidado de si e torna a vida menos árida.   O descanso da mente é o primeiro deles. Ele se anuncia nos pequenos intervalos, quase invisíveis, que quebram a mecânica do...