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Gratidão

Gratidão pela visão e pelo contemplar das cores das belas flores, o sorriso de uma criança, a beleza radiante do arco-íris, o pôr do sol, a lua e o céu estrelado. Olhos que eram apenas para enxergar as belezas no céu, no mar, na terra, mas contemplam a violência, a fome, a natureza que morre, fruto de irresponsabilidade da humanidade (minha e de todos).             Gratidão pelo olfato que desfruta o prazer de cheiros e aromas, o doce e suave perfume de uma rosa que desabrocha, o cheiro daquela comida saborosa, o odor do imenso mar. Nariz que não só inala as maravilhas de tanta beleza, mas que também o mau cheiro de fumaças produzidas pelas indústrias, mau cheiro dos esgotos entupidos por tanto lixo jogado nas ruas.             Gratidão pelo tato que, mesmo com os olhos fechados, pode enxergar com o coração, ter a sensação da leveza e delicadeza da pétala de uma...

Simplicidade

Ama a simplicidade Ama a vida Ama a poesia Ama as coisas que dão alegria Ama a natureza e a reverência pela vida Ama os mistérios Ama Deus. (Rubem Alves) Cada vez mais em nossos dias aumenta a paixão pelos bens materiais. Afinal de contas, bens simbolizam status e lamentavelmente na maioria das vezes somos definidos e valorizados pelo que temos e não pelo que somos. Para muitos a vida ideal está no acúmulo de bens e o que predomina é aquela frase: “quanto mais melhor”. Então, vivemos esse frenesi, um ativismo intenso, uma verdadeira corrida de ratos para conquistarmos e acumularmos cada vez mais. Corremos, corremos, mas não estamos satisfeitos, queremos sempre mais e para realizarmos esse desejo vivemos uma acirrada competição fora e muitas vezes dentro de casa também. Viver assim não é apenas angustiante como também gera uma grande ansiedade e parece não haver fim para isto. Penso que a solução para isto é um retorno à simplicidade, pois ela ...

Uma ilha diferente

Numa pequena ilha chamada sentimentos chegou um barco e nele estava escrito Problemas. Todos os que estavam nele desembarcaram na ilha. Então, começaram a sair do barco o Estresse, o Sofrimento, a Dor, a Amargura e a Angústia. Assim que virão os que desceram do barco, a Alegria, Calma, Coragem, Felicidade e Gratidão, subiram numa pequena jangada e fugiram da ilha. Desespero foi logo avisar aos demais que ainda estavam na ilha.  Esperança ficou sem reação e procurou a Estabilidade que tinha uma pequena canoa e também fugiram da ilha.  Todos da ilha foram para imensa casa do Medo, exceto a Tristeza, Ansiedade e Depressão que preferiam ficar diante do mar cujo nome era sonhos e ficaram ali se lamentado da vida, pois depois que o barco Problema chegou, tudo se transformou se tornou um caos. Mas, espere, tem alguém se aproximando da ilha numa velha jangada. Quando chegou a ilha ele disse você me permite entrar na ilha? Tristeza respondeu com uma pergunta: "por que, se ...

Quem foi que disse que a jornada seria fácil?

Quando criança ouvi muitas vezes minha vó e mãe dizerem: “rapadura é doce, mas não é mole não!”. Claro que naquela época não entendia o que isso queria dizer. Também ouvia um outro ditado que aparentemente era bem diferente, mas hoje percebo a semelhança que tem com o primeiro. Era o seguinte: “a vida não é um mar de rosas”. Agora paro, penso e concordo em parte com as verdades inseridas nessa sabedoria popular. A vida apesar de toda doçura tem também lições amargas e muitas vezes dolorosas; apesar de tão bela e delicada como uma linda rosa, mesmo contendo aromas suaves de alegrias aqui e ali, de quando em quando nos deparamos com os espinhos das tristezas, decepções e imprevisibilidades. Tudo que conquistamos geralmente é com persistência, determinação e dedicação. Consequentemente vem às dificuldades que irão requerer de nós ainda mais empenho, esforço e força de vontade. Parece que temos uma tendência natural de valorizar o que requer de nós mais determinação. Talvez por iss...

Fazer silêncio para escutar-se, relembrar e perdoar-se

Mesmo quando a vida nos reserva algo difícil nós podemos ser felizes, ainda que pontuada por momentos de tristeza tais momentos não anulam o estágio da paz. Aceitar o eu que nos tornamos significa reconciliação consigo mesmo e isso requer que aceitemos o fato de sermos ambivalentes. Em nós existe amor, mas também ódio, apesar de todas nossas aspirações morais e éticas, também temos agressividade, ira, ciúme, sentimentos depressivos covardia e medo. Se não enfrentarmos as sombras que nos habitam iremos projetá-las no outro. Então, por não estarmos em harmonia conosco e reconciliados com nossa própria história, também encontraremos dificuldades para nos reconciliar com o outro. Perdoar não é fácil, porque quem perdoa não espera um retorno, ou seja, não pressupõe reciprocidade. Ao perdoarmos somos libertos do sentimento corrosivo de se achar injustiçado e às vezes somos libertos da auto piedade. Ainda que de fato tenhamos sido ofendidos não podemos nos aprisionar as dores vividas...

Escutar-se

Existe diferença entre ouvir e escutar. O primeiro ouve sem dar a devida atenção e muitos parecem ter um botão de desligar, fazendo jus aquela expressão popular: “Ouvido de mercador” ou “entra por um ouvido e sai pelo outro”. O segundo por sua vez, escuta atentamente o que está sendo dito e até o que muitas vezes nem se percebe dizer. Escutar o outro não é simplesmente captar o que está sendo dito, mas entender o que é captado pela audição, de modo que se compreenda e processe a informação internamente. Contudo, escutar-se é um desafio, ainda mais diante dos ruídos e distrações existentes em nossos dias. Portanto, isso requer ainda mais esforço e disciplina, pois nos leva aos nossos medos, desejos, angústias, fantasias e nossos fantasmas, porém como já foi dito anteriormente, cabe a nós silenciar nossa mente. O ser humano sempre deseja esquivar-se da verdade dele mesmo. Na grande maioria das vezes não queremos nos escutar porque fugimos de nós e preferimos não nos confrontar...

Silêncio!

Quem nunca esteve num ambiente com uma plaquinha ou cartaz que tem uma imagem de uma pessoa com o dedo indicador sobre os lábios? Até nos vem à mente aquele som: “psiiiiii”. Em bibliotecas o silêncio é necessário para não atrapalhar a concentração, já em hospitais para não incomodar. Que tal fazer um “psiiii” para nossa mente? Exatamente, mandar ela aquietar e parar o barulho ensurdecedor que fazemos indo em busca de uma felicidade imposta por familiares e até pela sociedade. Todo esse anseio mexe com cada cômodo do nosso ser gerando em nós um constante estado de inquietude, pois parece que tudo nos falta. Este estado faltoso é que parece alimentar essa vida desenfreada que temos, nos movimentando o tempo todo pra fora sem percebermos os sutis movimentos dentro de nós. Às vezes precisamos de alguém que perceba nossa inquietação e nos diga que precisamos fazer silêncio em nós. Se de fato queremos viver, não podemos ficar apenas no ver a vida acontecer diante de nós sem nos pe...