Pular para o conteúdo principal

Passare, "passar" - Passus, "passo"

Se do teu passado te lembrares e dele te arrependeres e te envergonhares, conforta-te com o autoconhecimento libertador, o qual proporcionará um novo presente, uma nova caminhada, pois, novos compartimentos do teu ser serão abertos. Reflete e chora o necessário. Sofre o suficiente, mas levanta-te e segue de cabeça erguida, aprendendo com teu passado para não viverdes as repetições. Olhar para trás e enxergar-se é um grande salto para trilhar um novo caminho sem máscaras, cheio de novas possibilidades para melhorar, de modo que te tornes melhor e mais humano, valorizando cada momento, cada coisa, cada pessoa.
Portanto, não te martirizes pelo que passou, reconhece-te, fortalece-te e encara a vida sem medos, pois, o olhar para dentro de ti e mergulhar em tudo que te foi é uma quebra de ilusões e isso gera desconforto. No entanto, não estás lá, estás aqui e o que farás de agora em diante? A vida está em movimento, então, fica bem contigo mesmo e aprende a lidar com o que passaste vencendo os fantasmas e fortalecendo quem és.



 Daniel L. Gonçalves

Teólogo, Filósofo e Psicanalista

Comentários

  1. E se do passado eu me lembrar e dele ainda sobrar algo que ficou? Sem medo posso viver, desde que saiba eu controlar e apenas me lembrar sem nada esquecer se a mim nao machucar e aoutros tambem não, então posso viver do jeito que é pra se viver, Caminhante no presente, buscando sempre fazer o que é certo e verdadeiro na certeza de encontrar um crescimento maior interior.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O reflexo distorcido: "a substância" e a crueldade da beleza imposta

  "A Substância", dirigido por Coralie Fargeat, apresenta-se como uma experiência cinematográfica visceral que transcende os limites convencionais do horror para oferecer uma reflexão incisiva sobre nossa sociedade obcecada por imagens. O filme captura, com precisão implacável, as pressões esmagadoras que recaem sobre as mulheres em um mundo que as valora primordialmente por sua juventude e aparência. No centro desta narrativa perturbadora encontra-se Elisabeth Sparkle, interpretada com notável vulnerabilidade por Demi Moore. Antiga celebridade agora em declínio, Elisabeth enfrenta o fantasma que assombra inúmeras mulheres na indústria do entretenimento: a obsolescência imposta pela idade. Quando um executivo insensível a descarta friamente como "aquela velha", o filme expõe cruamente o etarismo sistêmico que permeia nossa cultura. A premissa do filme se desenvolve a partir de um conceito aterrorizante: uma substância ilegal que permite a Elisabeth criar temporariam...

A tapeçaria digital e os fios soltos da conexão

É fascinante como nos prometem um mundo de infinitas conexões, não é mesmo? A palma da nossa mão pulsa com a energia de bilhões de informações, rostos e vozes. Quantas vezes, ao deslizar a tela, nos sentimos parte de algo grandioso, um fluir constante de ideias e experiências? Mas, e quando a tela se apaga? Ou quando nos vemos rodeados, em uma festa ou em um café, mas o olhar busca o brilho azul que já se tornou uma extensão de nós? Lembro-me de um entardecer, o pôr do sol pintando o céu com tons de laranja e roxo – uma cena de tirar o fôlego. Ao meu redor, celulares em riste, capturando o momento. Ninguém parecia realmente ver o sol se pôr, mas sim a versão digital dele que seria compartilhada. O que se perde nesse hiato entre a vivência e a representação? A sensação, por vezes, é de que construímos pontes virtuais tão rapidamente que esquecemos como andar sobre o solo firme de uma conversa olho no olho, onde as nuances da voz e a delicadeza de um gesto falam mais que mil emojis. A ir...

Os muitos descansos que sustentam a vida: um ensaio sobre a arte de pausar

Vivemos em uma época que celebra a velocidade. Tudo precisa ser respondido imediatamente, decidido depressa, produzido sem atraso. Nesse cenário, descansar parece quase um gesto de rebeldia — um retorno silencioso ao que somos quando ninguém nos exige nada. Mas descansar não é luxo, e muito menos preguiça. É, antes de tudo, uma necessidade constitutiva da vida psíquica, emocional e corporal. E talvez seja justamente por isso que a pausa, quando acontece, nos devolve algo essencial: o acesso àquilo que fomos perdendo no meio da pressa.   Costumamos pensar o descanso apenas como sono. No entanto, assim como somos seres complexos, feitos de camadas e ritmos próprios, também o descanso possui múltiplas formas. Cada uma delas toca uma dimensão da existência e restaura algo diferente em nós. Entender isso amplia nosso cuidado de si e torna a vida menos árida.   O descanso da mente é o primeiro deles. Ele se anuncia nos pequenos intervalos, quase invisíveis, que quebram a mecânica do...